oqueacontece


Howard Phillips Lovecraft
Novembro 7, 2009, 2:59 am
Arquivado em: Uncategorized

Lovecraft3

Lovecraft’s major inspiration and invention was the idea that life is incomprehensible to human minds and that the universe is fundamentally alien. Those who genuinely reason gamble with sanity. His works were deeply pessimistic and cynical, challenging the values of the Enlightenment, Romanticism, and Christian humanism. Lovecraft’s protagonists usually achieve the mirror-opposite of traditional gnosis and mysticism by momentarily glimpsing the horror of ultimate reality.

Although Lovecraft’s readership was limited during his life, his reputation has grown over the decades, and he is now commonly regarded as one of the most influential writers of the 20th century.



Os colaboradores da Stazi
Novembro 7, 2009, 2:24 am
Arquivado em: Uncategorized

- Eu só bebi uns goles de conhaque pra dar um esquentada na gripe, seu guarda.

- O senhor sabe quantas vezes já me disseram isso?

- Não.

- Nenhuma, pode passar, coroa.

- Valeu garoto.



Dois acontecimentos onde eu era criança
Novembro 6, 2009, 3:52 pm
Arquivado em: Uncategorized

Um homem é morto com um tiro na cabeça. A bala entra pelo olho direito e sai pela nuca. Insistente, ainda arrebenta o encosto do banco, onde o sangue misturado à poeira voa em círculos sobre a boca aberta congelada num esgar de espanto.

Meu pai morreu assim. Ele diminuiu a velocidade para olhar melhor o carro tombado no matagal à margem da pista. Era um carro-forte, amarelo, com os vidros todos trincados. Quando meu pai se deu conta disso deve ter sentido que se metia numa fria. Uma sombra indecisa cresceu ao lado do carro tombado, mas quando meu pai virou o rosto perdeu-o de vista. Quando voltou a olhar em frente de imediato reconheceu um pequeno ponto brilhoso. Pensou num anel. E a arma disparou.

Tio Hélio brincava mais com as crianças do que com os adultos. Sua espingarda velha recusava os cartuchos ainda mais velhos, um após o outro. O tio olhava para os papagaios que comiam as mangas e dava o aviso. Quem não saísse por bem sairia por mal. Mas aí a espingarda falhava e a criançada caía na risada. Essa situação se repetiu até a espingarda enfim disparar. Ficamos sabendo pela revoada de papagaios que calou nossas risadas e pelo corpo inerte que despencou lá de cima como se fosse um galho pesado. O tio andou à nossa frente e pegou o papagaio pela asa. O tiro tinha entrado pelo olho direito – que pendia caído sobre o bico – e saído pela nuca. O corpo do animal tremia como se estivesse com muito frio ou muito medo. Ficamos olhando em silêncio. Os movimentos foram cessando e o papagaio foi apagando. Antes, porém, de cessar em definitivo, ele emitiu um último grunhido, um cró, um cré, um arg, e aí não fez mais nada.

O tio perguntou quem ia querer levar o bichinho pra mostrar pros colegas. Fui o primeiro a me manifestar e o tio não esperou surgir a concorrência e foi logo me parabenizando pela conquista. Meus primos confabulavam em silêncio enquanto eu me esforçava em manter a brincadeira acesa. Meu tio entrou na casa e voltou trazendo o corpo do papagaio dentro de um saco vazio de açúcar. Me entregou e não contive o riso. Disse que contaria aos colegas que eu mesmo tinha dado o tiro. Ele riu, meus primos não. Pensei que estivessem com inveja, porém vi que as meninas já manifestavam um nítido mal-estar com aquela situação. O papagaio seguia perdendo sangue e num canto do saco já se formava uma pequena poça. Alguns cristais de açúcar que resistiam no saco brilhavam com o sangue vermelho ou com o suor claro que exalava da penugem. Assustei as meninas ameaçando aproximar o saco delas com o lado onde pairava a cabeça deformada pela cobertura de plástico.

Voltando para casa, meus primos criaram a coragem que não tiveram na presença do tio Hélio e me disseram para jogar o papagaio fora. Disseram que seria de mau-gosto levá-lo para a aula e que mesmo que eu mentisse que tinha dado o tiro eles não demorariam em contar a verdade.

Dito isso, joguei o saco com o papagaio no encosto da estrada de chão.

Não tenho nenhum motivo em especial para escrever essas histórias. Não busquei uma ligação profunda entre as duas histórias e nem apresentei uma moral que justifique a própria escrita e leitura feita até aqui. Simplesmente não há um grande significado – criado por mim. Escrevi porque não tenho nada melhor para fazer. Eu poderia estar comendo (mas já comi) ou caminhando ou lendo ou bebendo ou fumando ou namorando. Poderia estar jogando videogame, tocando violão, lavando a louça ou o chão, levando a roupa pra lavar, procurando um emprego, poderia, enfim, estar fazendo qualquer coisa. E fiz. Escrevi essas histórias, sem nenhum motivo maior, sem esperança alguma. Escrevi apenas para passar o tempo. E espero que isso não fira o orgulho de ninguém. Se você passou seu tempo lendo isso, bem, parabéns, você passou seu tempo lendo isso. Se você não passou seu tempo lendo isso, se passou seu tempo fazendo qualquer outra coisa, parabéns também. Você ainda não morreu. Eu ainda não morri. Nós ainda não morremos. Nós ainda vivemos.



Seymour, uma apresentação
Novembro 5, 2009, 3:26 pm
Arquivado em: Uncategorized

A presença dos atores sempre me convence, para meu horror, de que é falso quase tudo o que escrevi sobre eles até o momento. É falso porque escrevo sobre eles com um amor constante (mesmo agora, ao escrever estas palavras, isto também se torna falso), porém com uma competência variável, e essa competência variável impede que os verdadeiros atores sejam representados de forma clara e correta, embotando-se, pelo contrário, neste amor que jamais se satisfará com a competência e, por isso mesmo, crê estar protegendo os atores ao impedir essa competência de se manifestar.

Em linguagem figurada, é como se um autor tivesse cometido um erro de escrita e esse erro se tornasse consciente de sua existência. Talvez não se tratasse de um erro, e sim, num plano muito mais elevado, de parte essencial de toda a composição. Nesse caso, é como se o erro, por puro ódio do autor, se rebelasse contra ele, proibindo-o de fazer a correção, e proclamasse: “Não, não serei apagado, aqui ficarei como testemunha contra ti, de que és um péssimo escritor”.

***

Às vezes, para ser franco, não dou muita bola pra isso, mas, aos quarenta anos de idade, considero meu velho amigo das horas boas, o leitor comum, como meu último confidente profundamente contemporâneo; quando ainda bem garoto, fui instado de modo enérgico, pelo mais estimulante e fundamentalmente menos presunçoso artesão público que já conheci em pessoa, a tentar manter uma apreciação sóbria e serena dos encantos desse relacionamento, por mais peculiar ou terrível que viesse a se revelar; no meu caso, ele cedo anteviu o que me aguardava. O problema é: como pode um escritor apreciar tais encantos se não tem a menor idéia de como é o seu leitor comum? Sem dúvida, o inverso é bastante usual, mas quando é que se pergunta ao autor de uma história qual a imagem que ele faz de seu leitor? Por muita sorte, para seguir adiante e dizer logo o que vai na minha cabeça – e não creio que se trate de algo capaz de sobreviver a um intróito interminável -, faz muitos anos descobri praticamente tudo o que precisava saber acerca de meu leitor comum; quer dizer, de você. Temo que você o negará com todo o vigor, mas na verdade não posso aceitar sua palavra nessa matéria. Você é um grande amante de pássaros. Assim como o personagem de um conto de John Buchan, intitulado “A ilhota de Skule”, que o Arnold L. Sugarman, Jr. certa vez me fez ler durante um período de estudo muito mal supervisionado, você é alguém que se interessou pelos pássaros acima de tudo porque eles incendiaram sua imaginação; eles o fascinaram porque “de todos os seres, pareciam os mais próximos do espírito puro – essas criaturinhas que têm temperatura normal de 52 graus”. Provavelmente, tal qual a esse personagem de John Buchan, lhe tenha ocorrido uma série de pensamentos palpitantes; não tenho dúvida, por exemplo, de que pensou: “O pintassilgo de crista dourada, com um estômago do tamanho de um feijão, atravessa voando o Mar do Norte! O maçarico, que se acasala tão ao norte que até hoje só três pessoas viram seu ninho, vai passar as férias na Tasmânia!” Naturalmente, não tenho o direito de esperar que meu próprio leitor comum seja uma dessas três pessoas que viram um ninho de maçaricos, mas, pelo menos, acho que o conheço – isto é, a você – suficientemente bem para imaginar que tipo de gesto bem-intencionado de minha parte poderia agradar-lhe neste justo instante. Assim, pois, meu velho confidente, num espírito de congraçamento, antes que nos juntemos aos demais – os que estão encalhados aí por toda parte, inclusive, estou certo, os loucos do volante de meia-idade que insistem em nos mandar para a Lua, os vagabundos que se crêem iluminados por Buda, os fabricantes de cigarros com filtro para os homens que sabem escolher o melhor, os beatniks, os mal-ajambrados e os petulantes, os adeptos de cultos obscuros, todos os imponentes peritos que tão bem sabem o que devemos ou não fazer com nossos humildes órgãos sexuais, todos os jovens barbudos, orgulhosos e iletrados, bem como os guitarristas sem talento, os assassinos do budismo zen e os delinqüentes juvenis de roupas padronizadas, todos esses que, do alto de sua infinita ignorância, olham para este esplêndido planeta por onde (por favor, não me interrompa agora) passaram o Biriba, Cristo e Shakespeare -, antes de nos juntarmos a todos eles, eu muito particularmente lhe peço, velho amigo (para dizer a verdade, quase imploro), que aceite de mim este despretensioso buquê de recém-desabrochados parênteses: (((()))). De forma muito pouco floral, desejo com ardor que eles sejam antes de tudo recebidos como símbolos propiciatórios – algo sinuosos ou mesmo recurvos – de meu estado físico e mental ao escrever este texto. Profissionalmente falando, única forma em que sempre gostei de falar (e, apenas para me fazer ainda menos simpático, falo sem cessar nove línguas, quatro das quais mortas e enterradas) – profissionalmente falando, repito, sou um homem extaticamente feliz. Como nunca fui. Ah, uma vez, quem sabe, aos catorze anos, quando escrevi um conto em que todos os personagens tinham cicatrizes de duelo como os estudantes de Heidelberg – o herói, o vilão, a heroína, sua velha ama, todos os cachorros e cavalos. Naquele momento cheguei a ficar razoavelmente feliz, é verdade, mas não extaticamente feliz, como agora. Vamos ao ponto: bem sei, melhor talvez do que ninguém, quanto pode ser extenuante compartilhar da companhia de um escritor em êxtase de felicidade. Claro, os poetas nesse estado são, de longe, os mais “difíceis”, porém até mesmo o escritor de prosa em tais condições jamais consegue se comportar de modo adequado; afinal, divino ou não um acesso é um acesso. E, embora eu acredite que um escritor de prosa em estado de felicidade total possa produzir muita coisa boa numa página impressa – o que tem de melhor, é o que espero, na realidade, – também é fato, e infinitamente mais óbvio, que ele jamais conseguirá ser moderado, prudente ou enxuto, pois perde quase todos os seus parágrafos curtos. E nem se pode manter imparcial – ou, se pode, apenas de vez em quando e de modo suspeito, nas marés baixas. Movido por algo tão intenso e absorvente quanto a felicidade, ele é obrigado a se privar do prazer menor, conquanto sempre agradável para o escritor, de aparecer na página sentado, sereno, no muro. O pior, creio eu, é que ele se torna incapaz de atender à ânsia mais premente do leitor, qual seja a de ver o autor entrar logo de cara na história. Daí, em parte, o nefasto oferecimento de parênteses que fiz algumas frases atrás. Bem sei que muitas pessoas de inteligência perfeitamente normal são incapazes de aturar comentários parentéticos enquanto uma história está sendo contada. (Ficamos sabendo dessas coisas pelo correio – sobretudo, cabe reconhecer, graças aos estudantes envolvidos na preparação de teses, os quais não conseguem sofrear o anseio muito natural de nos inebriar com suas idéias nas horas de folga. Mas nós lemos, e em geral acreditamos: bom, mau ou indiferente, qualquer encadeamento de palavras prende nossa antenção como se viesse do próprio Próspero.) Gostaria de deixar claro que meus apartes não só vão multiplicar daqui por diante (a bem da verdade, nem sei se não haverá uma ou outra nota de pé de página), como também que tenho a firme intenção de pular vez por outra nas costas do leitor caso veja, às margens do leito bem demarcado do enredo, algo tão excitante ou interessante que me obrigue a conduzi-lo até lá. A velocidade aqui não significa nada para mim, por mais que isso vá de encontro à minha condição de cidadão norte-americano. No entanto há leitores que, com toda a seriedade, só admitem ter sua atenção despertada mediante o emprego dos métodos mais comedidos, mais clássicos e possivelmente mais sutis; a esses eu sugiro – tão honestamente quanto pode um escritor sugerir esse tipo de coisa – que se retirem agora, enquanto, assim imagino, podem escapar numa boa. Provavelmente continuarei a assinalar as saídas disponíveis ao longo do percurso, mas não garanto que venha a fazê-lo com tanta sinceridade no futuro.

Gostaria de começar com um comentário algo copioso acerca das duas citações iniciais. “A presença dos atores…” é de Kafka. A segunda – “Em linguagem figurada, é como se um autor tivesse cometido um erro de escrita…” – é de Kierkegaard (e quase esfrego as mãos de contentamento, por menos elegante que seja tal gesto, ao pensar que essa passagem de Kierkegaard pode perfeitamente pegar alguns existencialistas e certos mandarins franceses badalados demais com suas… – bem, de surpresa).² [² Esse pequeno doesto é absolutamente condenável, mas o fato de que o grande Kierkegaard jamais foi kierkegaardiano, e muito menos existencialista, enche de irreprimível alegria o coração de um intelectual de terceira categoria, além de reafirmar sua fé numa justiça poética de dimensões cósmicas, se não num Papai Noel também cósmico.] Não estou cem por cento convencido de que alguém precise de motivos inatacáveis para fazer citações dos autores de que gosta, mas é sempre agradável, isto eu concedo, ter algum bom motivo. Nesse caso, parece-me que as duas passagens, sobretudo postas lado a lado, são fabulosamente representativas, em certo sentido, do melhor não apenas de Kafka e Kierkegaard, como de quatro homens já falecidos, os quatro diferentemente notórios Homens Doentes ou solteiros desajustados (dos quatro, talvez só Van Gogh seja dispensado de visitar estas páginas) a quem com mais freqüência recorro – vez por outra movido por verdadeira angústia – sempre que desejo uma informação totalmente digna de crédito sobre os processos artísticos contemporâneos. Em essência, reproduzi as duas passagens para tentar sugerir com absoluta clareza como creio me situar em relação ao volume de informações que espero reunir aqui – coisa que, não me importo nada em dizer, em certas situações um autor não pode explicitar muito, ou cedo demais. Em parte, no entanto, seria gratificante imaginar, sonhar, que essas duas breves citações fossem de alguma utilidade para a geração relativamente nova de críticos literários – esses trabalhadores (soldados, penso que se pode dizer) que labutam por longas horas, com esperanças cada vez mais minguadas de destaque, em cursos universitários que mais parecem agitadas clínicas neofreudianas. Sobretudo, talvez, para os estudantes ainda muito jovens e futuros críticos literários – eles próprios implicitamente estuantes de saúde mental, eles próprios (parece-me inegável) inerentemente livres de qualquer atração mórbida pela beleza – que um dia pretendem especializar-se em patologia estética. (Esse, admito, é um assunto que me tira do sério desde que, aos onze anos, assisti ao artista e Homem Doente que mais amei no mundo, nessa época ainda usando calças curtas, ser examinado por um conceituado grupo de freudianos profissionais durante seis horas e 45 minutos. Em minha opinião, que está longe de ser isenta, só faltou lhe arrancarem um pedaço do cérebro para exame de laboratório, e faz muitos anos sou perseguido pela idéia de que só o adiantado da hora – duas da manhã – os dissuadiu de fazer exatamente isso. Assim, decerto tenciono soar irritado aqui. Irascível, não. Sei que uma linha muito tênue separa as duas atitudes, porém prefiro correr o risco de caminhar em cima dela por mais um minuto; esteja ou não preparado, esperei muitos anos até coletar esses sentimentos e desabafá-los.) Como é natural, correm sempre os mais variados boatos sobre o artista excepcionalmente criativo – e estou me referindo aqui apenas a pintores, poetas e escritores de corpo inteiro. Um desses boatos – para mim de longe o mais hilariante – é o de que, mesmo na idade das trevas pré-psicanalíticas, ele jamais reverenciou seus críticos profissionais; pelo contrário, devido à sua visão quase sempre deformada da sociedade, em geral os confunde com meros editores, agentes de venda e outros negociantes das artes, talvez dignos de inveja por sua prosperidade mas que, como quiçá o próprio artista admita, exerceriam se pudessem uma ocupação diferente e quem sabe mais limpa. Entretanto, ao menos hoje em dia, o que mais se ouve acerca do poeta ou pintor enfermo mas surpreendetemente produtivo é que ele constitui um caso “clássico” de neurótico superdotado, um ser aberrante que só às vezes, e nunca sinceramente, deseja abrir mão de sua anomalia; ou, em linguagem corrente, um Homem Doente que, embora se diga que ele infantilmente o negue, com freqüência emite terríveis urros de dor, como se do fundo do coração desejasse se desfazer tanto de sua arte como de sua alma para sentir o que nas outras pessoas passa por sanidade; e, todavia (continua o boato), quando em seu quarto de aparência pouco salutar entra alguém – quase sempre alguém que de fato o ama – e apaixonadamente lhe pergunta de onde provém a dor, o artista se limita a desmentir que ela exista ou parece incapaz de discuti-la em termos clinicamente úteis; e pela manhã, quando se supõe que até os grandes poetas e pintores se sentem um pouco mais bem-dispostos que de costume, ele parece mais perversamente decidido do que nunca a deixar que a enfermidade siga seu curso, como se, à luz de outro dia, supostamente de trabalho, houvesse se lembrado de que todos os homens, inclusive os sãos, um dia hão de morrer e poucas vezes o fazem de bom grando, enquanto ele, felizardo, ao menos está sendo consumido pelo mais estimulante companheiro, doença ou não, que já conheceu. Em suma – conquanto isso possa soar como uma traição partindo de quem, como venho insinuando ao longo desta quase-polêmica, conta com um artista morto em sua família imediata -, não vejo como seja racionalmente possível negar que este último boato contenha uma boa dose de verdade. Enquanto meu ilustre parente viveu, eu o observei – quase literalmente, às vezes penso – como um falcão. À luz de qualquer definição lógica, ele era um ser enfermo, ele de fato, em suas piores noites ou fins de tarde, emitia não apenas gritos de dor como também pedidos de ajuda; e, quando chegava alguém disposto a ajudá-lo, ele se recusava mesmo a dizer em palavras inteligíveis de onde provinha a dor. Mesmo assim, censuro sem rodeios os supostos entendidos na matéria – os pesquisadores literários, os biógrafos e sobretudo a aristocracia intelectual hoje no poder, formada numa ou noutra das grandes escolas psicanalíticas -, e os censuro ainda mais amargamente por não prestarem atenção quando ouvem um grito de dor. Não podem, lógico, pois constituem uma nobreza de ouvidos moucos. Com equipamentos tão defeituoso, com tais ouvidos, como alguém seria capaz, apenas pela qualidade do som, de rastrear a dor até sua origem? Creio que, com um aparelho auditivo tão infame, o máximo que conseguem registrar, e talvez comprovar, são alguns ecos ocasionais e inexpressivos – nem mesmo um contraponto – de uma infância conturbada ou de uma libido fora de prumo. Mes de onde vem o resto todo da carga de dor, capaz de encher uma ambulância até o teto? De onde ela deve vir? O verdadeiro poeta ou pintor não é um vidente? Não é ele, de fato, o único vidente na face da Terra? Muito provavelmente não o é o cientista, e muitíssimo menos o psiquiatra. (É certo que o único grande poeta que os psicanalistas tiveram foi o próprio Freud; sem dúvida ele também sofria de um pequeno defeito de audição, mas quem, em sã consciência, pode negar que ali existia um poeta épico?) Perdoe-me, estou quase acabando. Num vidente, qual parte da anatomia humana deveria, necessariamente, ser a mais maltratada? Os olhos, claro! Por favor, meu caro leitor comum, como derradeira indulgência (se é que você ainda está aí), releia aquelas duas curtas passagens de Kafka e Kierkegaard com que comecei. Não é evidente? Então não é dos olhos que provêm diretamente aqueles gritos? Por mais contraditório que seja o resultado da autópsia – conquanto se atribua a morte à Tuberculose, à Solidão ou ao Suicídio -, não é óbvio como de fato morre o verdadeiro artista-vidente? Afirmo (e tudo o que se segue muito possivelmente depende de que eu esteja ao menos próximo da verdade), – afirmo que o genuíno artista-vidente, o divino imbecil que produz beleza, morre ofuscado por seus próprios escrúpulos, pelas formas e cores deslumbrantes de sua própria consciência, sagradamente humana.

Eis aí meu credo. Recosto-me na cadeira. Suspiro – um suspiro de felicidade, imagino. Acendo um cigaro e vou em frente, se Deus quiser.

*

Jerome David Salinger

Tradução de Jorio Dauster



Dedicatória
Novembro 1, 2009, 12:34 am
Arquivado em: Uncategorized

Se ainda existe no mundo alguém que leia só por prazer – ou até mesmo por acidente -, peço a ele ou a ela, com indizível afeto e gratidão, que divida em quatro partes iguais a dedicatória deste livro com minha mulher e meus dois filhos.

*

Jerome David Salinger



O Relato de Arthur Gordon Pym
Outubro 22, 2009, 6:01 pm
Arquivado em: Uncategorized

Tendo retornado aos Estados Unidos há alguns meses, depois de extraordinária série de aventuras nos Mares do Sul e outros lugares, da qual apresento um relato nas páginas que se seguem, o acaso brindou-me com a amizade de certos senhores de Richmond, Virgínia, os quais manifestaram vivo interesse pelos fatos referentes às regiões que visitei, insistindo comigo sobre o dever que me cabia de apresentar esse relato ao público. Vários motivos, contudo, impediram-me de fazê-lo; alguns, de natureza absolutamente privada; outros, nem tanto.  Uma consideração que me deteve foi não ter mantido um diário durante a maior parte do tempo em que estive longe; temia não ser capaz de construir, confiando simplesmente na memória, uma narrativa minuciosa e bem tecida o suficiente para que exibisse a aparência da verdade que é mesmo sua, excluindo-se apenas aqueles exageros naturais e inevitáveis a que todos são sujeitos ao relatar eventos que tiveram profunda influência no estímulo às forças criativas. Também me freava a reflexão sobre a própria natureza dos fatos a serem relatados; lembrando a irremediável falta de comprovação de minhas asserções (excentuando-se a evidência de uma única testemunha – um mestiço), não podia contar com a crença de ninguém além de meus familiares e daqueles poucos amigos que já tiveram motivos, no curso da vida, para guardar fé em minha veracidade – a maior chance sendo de que o público em geral viria a considerar o que tenho a expor como fruto mentiroso da ficção. A falta de confiança em meus talentos literários foi, no entanto, uma das causas principais que me impediram de atender à sugestão de meus amigos.

Entre esses senhores de Virgínia que expressaram interesse em meu relato contava-se o Sr. Poe, já de algum tempo editor do Southern Literary Messenger, revista mensal publicada por Thomas W. White, de Richmond. Aconselhou-me ele, entre outras coisas, a preparar a descrição completa do que havia passado e do que vira e apresentá-la ao julgamento de bom senso do público, insistindo, de forma plausível, que as possíveis deficiências de estilo, se presentes, só fariam reforçar seu caráter documentário, aumentando as chances de uma favorável recepção.

A despeito disso, não me senti inclinado a agir conforme me pedia. Propôs-me, então, mais tarde (vendo que eu me tornara inflexível na questão), que eu lhe desse licença para esboçar, com suas próprias palavras, o relato da primeira parte de minhas aventuras, baseado em fatos que eu mesmo lhe forneceria, para posterior publicação no Southern Messenger, à guisa de ficção. Não vi nisso mal algum e consenti que o fizesse, estipulando apenas que meu nome real se conservasse. Dois episódios dessa ficção simulada apareceram, subseqüentemente, no Messenger de janeiro e de fevereiro de 1837, assinados pelo Sr. Poe, para assegurar seu pretenso caráter fictício.

A maneira pela qual essa artimanha foi recebida acabou me induzindo a um projeto metódico de compilação de minhas aventuras, pois descobri que, apesar do ar de fábula que astuciosamente envolvia a porção de meu relato que apareceu no Messenger (sem alteração ou distorção sequer de um fato), o público recusara-se a aceitar minha estória como simples fantasia – várias cartas endereçadas ao Sr. Poe manifestavam convicção oposta. Concluí, então, que os fatos, por si só, carregavam evidência suficiente de sua autenticidade e que eu tinha pouco a temer no que concerne à verossimilhança do relato e à incredulidade dos leitores.

A luz desse “exposé”, ficará imediatamente claro o quanto do que segue é de meu próprio punho; a honestidade das primeiras páginas, escritas pelo Sr. Poe, já foi discutida e dispensa reiterações. Mesmo para aqueles que não chegaram a ler o Southern Literary Messenger será desnecessário indicar o ponto onde sua contribuição termina e a minha começa – as diferenças de estilo serão facilmente percebidas.

A. G. Pym

Nova Iorque, Julho de 1838.

*

Edgar Allan Poe



Pulp
Outubro 21, 2009, 1:02 am
Arquivado em: Uncategorized

Eles ficaram me olhando. A boca de um deles murchou num buraco úmido. Ele tentava falar. Não conseguia. O outro baixou o braço e coçou os bagos. Ou o lugar onde devia haver bagos. O garçom permaneceu imóvel. Parecia um recorte em cartolina. Um recorte velho. De repente me senti jovem.

Adiantei-me e peguei um banco no balcão.

- Alguma chance de conseguir um drinque aqui? – perguntei.

- Etch… – disse o garçom.

- Uísque com coca, esquece o gelo.

Agora simplesmente enfia quatro e meio minutos no rabo e esquece. Foi quanto o garçom precisou para me atender.

- Obrigado – eu disse -, agora serve mais um enquanto está se mexendo.

Tomei um gole. Não estava ruim. Ele tinha muita prática.

Os dois caras velhos simplesmente continuaram ali sentados me olhando.

- Belo dia, não, companheiros?

Não responderam. Tive a sensação de que não respiravam. Não se deve enterrar os mortos?

- Escutem aqui, companheiros, quando foi a última vez que um de vocês baixou a calcinha de uma mulher?

Um dos caras velhos se ligou.

- He, he, he, he!

- Foi bom?

- He, he, he, he.

Eu começava a ficar deprimido. Minha vida não estava indo para lugar algum. Precisava de alguma coisa, o brilho das luzes, glamour, alguma porra. E ali estava eu, conversando com os mortos.

Acabei meu primeiro drinque. O segundo já pronto.

Dois caras entraram pela porta usando máscaras de meia.

Emborquei meu segundo drinque.

- TUDO BEM! NINGUÉM SE MEXE! CARTEIRAS, ANÉIS E RELÓGIOS NO BALCÃO! JÁ! – berrou um dos caras.

O outro saltou o balcão e abriu a caixa registradora. Esmurrou-a.

- EI! COMO SE ABRE ESTA PORRA?

Olhou em volta, viu o garçom.

- EI, VÔ! VEM CÁ E ABRE ESTA COISA!

Apontava o revólver para ele. De repente o garçom soube mexer-se. Estava na registradora num piscar de olhos e abriu-a.

O outro cara guardava num saco as coisas que a gente tinha posto no balcão.

- PEGUE A CAIXA DE CHARUTO! EMBAIXO DO BALCÃO! – gritou para o companheiro.

O cara atrás do balcão metia o dinheiro da caixa num saco. Encontrou a caixa de charuto. Estava cheia. Ele meteu-a no saco e saltou o balcão.

Aí os dois ficaram ali parados por um instante.

- Estou me sentindo meio maluco! – disse o cara que saltou o balcão.

- Esquece, vamos embora! – disse o outro cara.

- ESTOU ME SENTINDO MALUCO! – berrou o primeiro cara.

Apontou o revólver para o garçom. Disparou três tiros. Todos nas tripas. O velho retorceu-se três vezes e caiu.

- SEU PORRA IDIOTA! PRA QUE FEZ ISSO? – berrou seu companheiro.

- NÃO ME CHAME DE IDIOTA! MATO VOCÊ TAMBÉM! – ele gritou, se virou e apontou a arma para o parceiro.

Atrasou-se demais. O tiro lhe varou o nariz e saiu pela nuca. Ele caiu levando consigo um dos bancos do balcão. O outro cara saiu correndo pela porta. Contei até cinco, depois corri atrás dele. Os dois caras vivos continuavam vivos quando saí.

Cheguei ao carro depressa. Arranquei do meio-fio, percorri um quarteirão, virei à direita e desci uma rua secundária. Depois diminuí a marcha e segui. Ouvi uma sirene. Acendi um cigarro com o isqueiro do painel, liguei o rádio. Um pouco de música rap. Não entendia o que o cara falava.

Não sabia se voltava para casa ou para o escritório.

Acabei um supermercado empurrando um carrinho. Comprei cinco gatorade, um frango assado e um pouco de salada de batata. Um quinto de vodca e papel higiênico.

*

Bukowski



The Message
Outubro 19, 2009, 5:38 pm
Arquivado em: Uncategorized

Broken glass everywhere
People pissing on the stairs, you know they just
Dont care
I cant take the smell, I cant take the noise
Got no money to move out, I guess I got no choice
Rats in the front room, roaches in the back
Junkies in the alley with a baseball bat
I tried to get away, but I couldnt get far
Cause the man with the tow-truck repossessed my car

Dont push me, cause Im close to the edge
Im trying not to loose my head
Its like a jungle sometimes, it makes me wonder
How I keep from going under

*

Grandmaster Flash & The Furious Five



Com os meus olhos de cão
Outubro 15, 2009, 3:21 pm
Arquivado em: Uncategorized

Deus? Uma superfície de gelo ancorada no riso. Isso era Deus. Ainda assim tentava agarrar-se àquele nada, deslizava geladas cambalhotas até encontrar o cordame grosso da âncora e descia descia em direção àquele riso. Tocou-se. Estava vivo sim. Quando menino perguntou à mãe: e o cachorro? A mãe: o cachorro morreu. Então atirou-se à terra coalhada de abóboras, colou-se a uma toda torta, cilindro e cabeça ocre, esgoelou: como morreu? como morreu? O pai: mulher, esse menino é idiota, tira ele de cima dessa abóbora. Morreu. Fodeu-se disse o pai, assim ó, fechou os dedos da mão esquerda sobre a palma espalmada da direita, repetiu: fodeu-se. Assim é que soube da morte. Amós Kéres, quarenta e oito anos, matemático, parou o carro no topo da pequena colina, abriu a porta e desceu. De onde estava via o edifício da Universidade. Prostíbulos Igreja Estado Universidade. Todos se pareciam. Cochichos, confissões, vaidade, discursos, paramentos, obscenidades, confraria. O reitor: professor Amós Kéres, certos rumores chegaram ao meu conhecimento. Pois não. Quer um café? Não. O reitor tira os óculos. Mastiga suavemente uma das hastes. Não quer mesmo um café? Obrigado não. Bem, vejamos, eu compreendo que a matemática pura evite as evidências, gosta de Bertrand Russel, professor Amós? Sim. Bem, saiba que jamais me esqueci de uma certa frase em algum de seus magníficos livros. Dos meus? O senhor escreveu algum livro, professor? Não. Falo dos livros de Bertrand Russel. Ah. E a frase é a seguinte: “a evidência é sempre inimiga da exatidão”. Claro. Pois bem, o que sei sobre suas aulas é que não só elas não são nada evidentes como… perdão, professor, alô alô, claro minha querida, evidente que sou eu, agora estou ocupado, claro meu bem, então vai levá-lo ao dentista, sei sei… Amós passou a língua sobre as gengivas. Também deveria ir ao dentista, (claro que ele tem que ir) com a idade tudo vai piorando ele chegou a me dizer da última vez, quando foi mesmo? não importa, mas disse senhor Amós há uma tensão em toda sua mandíbula, tensão de um executivo falindo, é fantástico, o senhor não acorda com dores nos maxilares? Acordo. Então é isso, temos de acertar a sua arcada. Quanto? Ah, é um trabalho difícil. Mas quanto? (mas minha querida, o garoto tá muito manhoso, tem que ir, os dentistas agora são verdadeiras moças, deixa que eu falo com ele, um instante só professor). Pois não. Ah, dispendioso, veja, temos de acertar todos os dentes de cima e quase todos os de baixo, e os de baixo são importantíssimos, nunca se deve perder um dente de baixo, são suportes para futuras pontes, o seu aqui de baixo tá todo roído. (alô filhinho, papai quer que você vá ao dentista, não começa com isso, compro o tênis sim, drops, sei, o que? shorts? ah, isso não garanto, então levo levo, certo filhinho, alô, evidente que sou eu minha querida, ele vai sim, chego cedo sim tchau tchau) Bem, onde é que estávamos, professor Amós? Respondo: nas evidências. Ah sim. Colocou os óculos novamente: o senhor parece não me levar a sério. Como assim? Notei que sorriu de um jeito um pouco, digamos, professor, um jeito condescendente, assim como se eu fosse… tolo? Impressão sua, apenas também me lembrei de uma frase. Diga, professor. Então digo a frase: “inventar um simbolismo novo e difícil no qual nada pareça evidente”, ele achava isso bom. Quem? Bertrand Russel. Ah. Continuemos, professor, não posso me demorar muito mas por favor tire férias, vinte dias, descanse. Mas o senhor não me falou claramente dos rumores. Como queira: há evidentes sinais de vaguidão. Como? De alheamento, se quiser, sim, de alheamento de sua parte durante as aulas, frases que se interrompem e que só continuam depois de quinze minutos, professor Amós, quinze minutos é demais, consta que o senhor simplesmente desliga. Desligo? Que frases eram? Não importa, por favor descanse, tome vitaminas, calmantes. Tira novamente os óculos, cobre o lábio de cima com o de baixo, suspira, sorri: vamos vamos, não se aborreça, o senhor tem sido sempre escorreito, excelente mesmo, mas cá entre nós… O reitor segura-me o braço, comprime seus dedos ao redor do meu pulso: cá entre nós, eles não estão entendento mais nada. Quem? Seus alunos, professor, seus alunos. Estranho digo, na última aula repensamos fraldas, inícios… a raiz quadrada de um número negativo. Citei um matemático do século doze, Bramine Bascara: “o quadrado de um número positivo, tal como o de um número negativo, é positivo. Portanto a raiz quadrada de um número positivo é dupla, ao mesmo tempo positiva e negativa. Não há raiz quadrada de um número negativo, pois o número negativo não é um quadrado” no entanto Cardan, no século dezesseis… O reitor mordeu o lábio inferior, fitou-me longamente, estendeu a mão: boa sorte, professor, férias. Atravesso o pátio. Depois corredores, gramados. Na adolescência a professora de redação pedira três contos breves. Short Stories, meninos sabem o que são short stories? Alguns babacas levantaram a mão. Muito bem, quem não souber pergunta aos outros, muito bem. Dois de meus colegas mostraram-me continhos imbecis, farfalhar de folhas passarelhos nos ramos brisas na cara etc. Aí escrevi:

Primeiro conto (vulgo short stories) – Mãezinha, ando farto das tuas besteiras sobre moralidade e família à hora do jantar. Já te vi várias vezes chupando o pau de papai. Me deixa em paz. Assinado, Júnior.

Segunto conto (vulgo short stories) – Vidinha, pensa bem, tu tem cinqüenta e eu vinte e cinco. Tu diz que é o espírito que conta. Eu compreendo Vidinha, mas tô me mandando. Não deprime. A gente se cruza, tá? Assinado, Laércio. Toda essa fala eu ouvi tomando guaraná no balcão de um armazém. Ele era um garotão, ela uma gordota de olho pretinho.

Terceiro conto ( vulgo short stories) – O nome dele é Sol e Adultério. O do meu marido é Elias. Meus filhos se chamam Ednilson e Joaquim. Tenho vontade que todos morram. Menos ele. (Aquele primeiro, luz e cama.) Sinto muito meu Deus, mas é assim.  Assinado: Lazinha. Deste eu gosto muito. Adultério lhe parecia na adolescência uma palavra belíssima. Agora também. Depois da Aids, menos. Luz e cama foi um achado. A professora esbofeteou-lhe a cara. O pessoal do farfalhar de folhas passarelhos nos ramos brisas na cara teve como prêmio um piquenique. As notas mais altas de redação praqueles bobocas. Amós foi expulso. Perdeu o ano. Pegou pneumonia. Os coleguinhas mandaram-lhe um poema breve: Bancou o sabido, o espertinho, o vivo / e só se fodeu / Amós, o inventivo.

*

Hilda Hilst



O fotógrafo de Hitler
Outubro 15, 2009, 2:57 am
Arquivado em: Uncategorized

Hugo Jaeger began capturing Hitler in 1936 and was doing so until the Second World War ended in 1945. As the war was drawing to a close in 1945, Jaeger hid the photographs in a leather suitcase. He then encountered American soldiers prompting fears of potential arrest and prosecution for carrying around so many images of such a wanted man. When the soldiers opened the case however, their attention was distracted by a bottle of cognac they found there, which they opened and shared with Jaeger.



O eterno retorno
Outubro 3, 2009, 11:24 pm
Arquivado em: Uncategorized

E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência – e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez – e tu com ela, poeirinha da poeira!”. Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: “Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!” Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: “Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?” pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?

*

Nietzsche



A escola de cinema de Werner Herzog
Outubro 2, 2009, 11:20 pm
Arquivado em: Uncategorized

“A Rogue Film School não irá ensinar nenhuma técnica relacionada a cinema. Para esse fim, por favor matricule-se na escola de cinema mais perto de você.”

“A Rogue Film School é sobre um estilo de vida. É sobre um clima, a excitação que torna um filme possível. É sobre poesia, filmes, imagens, literatura.”

“O foco dos seminários será um diálogo com Werner Herzog, em que os participantes irão encontrar sua voz para seus projetos, seus questionamentos, suas aspirações.”

“Trechos dos filmes serão debatidos, e isso pode incluir os seus. Dependendo do material, a atenção irá se concentrar em questões essenciais: Como a música funciona em um filme? Como narrar uma história (isso certamente irá se distanciar das lições acéfalas sobre roteiros em três atos)? Como sensibilizar o público? Como o espaço é criado e entendido pelos espectadores? Como produzir e editar um filme? Como iluminar o público e criar o êxtase da verdade?”

“Outros assuntos relacionados serão: viajar a pé, a alegria de ser alvo de tiros malsucedidos, o lado atlético do cinema, a falsificação de permissões de filmagem, a neutralização da burocracia, táticas de guerrilha, autoconfiança.”

“A censura será estimulada. Não haverá conversas sobre xamãs, classes de yoga, valores nutricionais, chás de ervas, a descoberta dos próprios limites, crescimento interno.”

“Siga sua visão. Forme células secretas da Rogue em todos os lugares. Ao mesmo tempo, não tenha medo da solidão.”

*



Ronaldinho
Setembro 24, 2009, 3:13 am
Arquivado em: Uncategorized

ronaldinho



Marciano
Setembro 11, 2009, 5:19 am
Arquivado em: Uncategorized

Ai galera, tem uns caras queimando a BANDEIRA BRASILEIRA em um video clip que esta rolando no yutube, quem quiser conferir e só acessar o yutube e depois digite DIBCLIP E AI CLIC NO VIDEO PORRA DE VIDA. assista e dê a sua opinião.



Werner Herzog
Setembro 9, 2009, 9:59 pm
Arquivado em: Uncategorized

Werner Herzog

Herzog se recusou a cantar  em frente à sua classe na escola e por isso até os 18 anos não ouviu música alguma, não tocou instrumento nenhum e muito menos estudou qualquer instrumento. Aos 14 anos Werner se inspirou em um termo de uma enciclopédia sobre cinema e roubou a câmera 35mm da Munich Film School. Recebeu seu diploma pós-secundarista na Universidade de Munique e, apesar de ter ganho uma bolsa escolar para a Duquesne University in Pittsburgh, Pennsylvania, abandonou a faculdade em poucos dias e viajou até o México onde trabalhou em um rodeio.