Homens de todos os tipos vieram trabalhar no News: de jovens turcos ensandecidos que queriam partir o mundo ao meio e começar tudo de novo até velhos repórteres medíocres e cansados, com panças de cerveja, que queriam apenas uma chance de terminar seus dias em paz, antes que algum bando de lunáticos partisse o mundo ao meio.
Havia de tudo: de homens honestos e verdadeiramente talentosos a degeneradados e perdedores irremediáveis que mal conseguiam escrever um cartão-postal – malucos, fugitivos e bêbados perigosos, um cubano ladrão que carregava uma arma embaixo do sovaco, um mexicano retardado que molestava criancinhas, vigaristas, pederastas e todo tipo de cancros venéreos em forma humana, e a maior parte deles trabalhava por tempo suficiente apenas para conseguir dinheiro para alguns drinques e uma passagem de avião.
Por outro lado, havia gente como Tom Vanderwitz, que mais tarde trabalhou para o Washington Post e ganhou um prêmio Pulitzer. E um homem chamado Tyrrell, agora editor do Times de Londres, que trabalhava quinze horas por dia apenas para impedir que o jornal fosse por água abaixo.
Quando cheguei, o News já existia fazia três anos, e Ed Lotterman estava à beira de um colapso nervoso. Ouvindo-o falar, você imaginaria que Lotterman tinha andado por todos os cantos do planeta, enxergando a si mesmo como uma mistura de Deus, Pulitzer e o Exército da Salvação. Costumava jurar que se todas as pessoas que tinham trabalhado para o jornal naqueles três anos pudessem aparecer de uma só vez diante do trono do Todo-Poderoso – se todos ficassem ali, contando suas histórias e loucuras, seus crimes e delírios – não haveria dúvida nenhuma de que até mesmo Deus cairia de joelhos e começaria a arrancar os cabelos.
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Hunter S. Thompson
Rum: Diário de um Jornalista Bêbado
Tradução de Daniel Pellizzari
L&PM Pocket