Eu era novo na cidade, estava há uma semana nesse novo emprego e havia ficado amigo desse cara muito gente boa que estava me ajudando na adaptação tanto à cidade quanto ao ambiente de trabalho. Almoçávamos juntos e ele até conseguiu um lugar pra mim no time da empresa. Essa noite era um sábado, meu primeiro sábado na nova cidade, e saí de carona com ele e a esposa. Demos voltas, eles me apresentaram as melhores e piores festas e os bares mais caros e os mais baratos.
Ao final da noite, voltando pra casa, todos um pouco tontos, passamos por um motel balaqueiro. Eu fiquei olhando pela janela e a esposa do meu amigo disse:
- Esse motel é muito exótico, tem quartos em forma de castelo, fundo do mar, inferno…
Deixei escapar um sonolento “Legal…” enquanto meu amigo disse, forçando um sorriso: “Não sei com quem tu veio aqui, eu nunca vim”.
A mulher dele emendou: “Nem eu, minhas colegas que me contaram”.
Passaram meses, passaram anos.
Um dia encontrei na rua um ex-colega da mesma empresa.
Conversando, falei que fazia tempo que não encontrava aquele velho amigo.
Ele disse que ele e a mulher haviam se separado mas que ele já tinha casado novamente.
Aí lembrei dessa história do motel e contei pra ele.
Ele fez uma cara estranha e depois decidiu contar outra história desse cara.
Diz que ele e a mulher haviam brigado e estavam pensando em voltar.
Estavam dando uma volta de carro até que ele parou em frente a um açude, desceu do carro e começou a caminhar em direção à água.
A mulher pensou que ele ia se matar.
Aí ele foi até a beira do açude, pôs as mãos dentro da água e tirou uma garrafa de champagne que havia guardado ali e abriu-a para comemorar a reconciliação.
E foi isso.
Aí eu fico pensando.
dezembro 7, 2011 às 4:58 pm |
ai eu fico pensando, também.